Aquela noite de beijos e carícias indecisas...
Amaste-me talvez nesses momentos - só nesses momentos...
Aquele recanto de aldeia esquecido no meio da cidade,
a noite perfeita,
a paz imensa daquela hora breve
- essa indizível magia de certas noites imensas...
Sim, amaste-me talvez nesses breves momentos
Em que fomos apenas a Mulher e o Homem
- tu, liberta da tortura de analisar sem fim
os teus sentimentos por este e por aquele;
eu, capaz por uma vez de não pensar os meus gestos
e tendo apenas a voz do mais obscuro instinto.
A natureza em volta aniquilava as nossas biografias,
e não havia senão a extática presença da terra e dos astros,
e perdidos nela, nós, tão pobres, tão abandonados,
purificados de toda a nossa miséria,
tão Eva e Adão antes da maçã comida,
nós, vivos em nossa carne bem humana,
tecendo nas linhas embriagadas das nossas carícias
o véu que nos escondia a memória dos outros.
Que importam as palavras que dissemos,
as juras que fizemos!
Que nesse momento, em cada um de nós,
as palavras do outro eram já sabidas antes de ser ditas,
e o tumulto dos nossos corpos,
e o tumulto das nossas almas,
e a maré viva da nossa perfeita comunhão,
e o espraiar-se da nossa ternura sobre o mundo,
eram a única Palavra que valia!
Adolfo Casais Monteiro
In 366 poemas que falam de amor
uma antologia organizada por
Vasco Graça Moura, Quetzal Editores
Monday, October 30, 2006
Saturday, October 28, 2006
Sunday, October 22, 2006
Friday, October 20, 2006
Poema de amor - Natércia Freire
Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.
Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amante, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!
Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.
Natércia Freire
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.
Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amante, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!
Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.
Natércia Freire
Monday, October 16, 2006
Thursday, October 12, 2006
Wednesday, October 11, 2006
Não tinha - Ângelo de Lima
Narcisos foto de Michela Grimal
Não tinha esse perfume, dos Narcisos!...
Nem o calor fervente dos Abraços!...
Aquela, a quem um dia abri os braços
- Que me encantava a alma de sorrisos!...
- Vi seus olhos, então!... - os lagos lisos
Não são mais cristalinos... nem mais frios!...
- Pobres Almas de Moços... - Balbucios
E Inocentes! - e Ínscios!... e Indecisos!!!...
Monday, October 09, 2006
Ideal - Antero de Quental
Circe Offering the Cup to Ulysses
Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazonas, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...
Antero de Quental
Sunday, October 08, 2006
Saturday, October 07, 2006
Ternura - David Mourão-Ferreira
Desvio dos teus ombros o lençol,
Que é feito de ternura amarrotada,
Da frescura que vem depois do sol,
Quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te lentamente,
E é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
retirado de Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica - Natália Correia,
Antígona, Frenesi
Que é feito de ternura amarrotada,
Da frescura que vem depois do sol,
Quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te lentamente,
E é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
retirado de Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica - Natália Correia,
Antígona, Frenesi
Thursday, October 05, 2006
An afternoon - Raymond Clevie Carter
As he writes, without looking at the sea,
he feels the tip of his pen begin to tremble.
The tide is going out across the shingle.
But it isn't that. No,
it's because at that moment she chooses
to walk into the room without any clothes on.
Drowsy, not even sure where she is
for a moment. She waves the hair from her forehead.
Sits on the toilet with her eyes closed,
head down. Legs sprawled. He sees her
through the doorway. Maybe
she's remembering what happened that morning.
For after a time, she opens one eye and looks at him.
And sweetly smiles.
Raymond Clevie Carver
he feels the tip of his pen begin to tremble.
The tide is going out across the shingle.
But it isn't that. No,
it's because at that moment she chooses
to walk into the room without any clothes on.
Drowsy, not even sure where she is
for a moment. She waves the hair from her forehead.
Sits on the toilet with her eyes closed,
head down. Legs sprawled. He sees her
through the doorway. Maybe
she's remembering what happened that morning.
For after a time, she opens one eye and looks at him.
And sweetly smiles.
Raymond Clevie Carver
Monday, October 02, 2006
By Your Side - Lyrics - Sade
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think i'd leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're on the outside baby and you can`t get in
i will show you you're so much better than you know
when you're lost and you're alone and you cant get back again
i will find you darling and i will bring you home
and if you want to cry
i am here to dry your eyes
and in no time
you'll be fine
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think id leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're low
i'll be there
by your side baby
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
oh when you're low
i'll be there
by your side baby
you know me better than that
you think i'd leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're on the outside baby and you can`t get in
i will show you you're so much better than you know
when you're lost and you're alone and you cant get back again
i will find you darling and i will bring you home
and if you want to cry
i am here to dry your eyes
and in no time
you'll be fine
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think id leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're low
i'll be there
by your side baby
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
oh when you're low
i'll be there
by your side baby
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