Friday, August 24, 2007
Wednesday, August 15, 2007
Episódios avulsos de um amor ardente (VI)
- Dá-me um beijo
- Dou-te todos os que quiseres
- Ah... todos?!... Nem a eternidade tinha tempo suficiente para os beijos tantos que te peço... e quero!
Tuesday, August 07, 2007
Vem sentar-te comigo, Lídia... - Ricardo Reis
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
Ricardo Reis
in Poemas de Amor, Antologia de Poesia Portuguesa, Inês Pedrosa, Publicações D. Quixote, 2003
Tuesday, July 31, 2007
Tuesday, July 24, 2007
Wednesday, July 18, 2007
Thursday, July 12, 2007
Tuesday, July 10, 2007
Monday, July 09, 2007
Friday, July 06, 2007
Frutos ...
Tuesday, July 03, 2007
Wednesday, June 27, 2007
Sunday, June 24, 2007
Monday, June 18, 2007
OS OLHOS RASOS DE ÁGUA - Eugénio de Andrade
Cansado de ser homem durante o dia inteiro
chego a casa com os olhos rasos de água.
Posso deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar em ti como num bosque.
É hora de fazer milagres:
posso ressuscitar os mortos e trazê-los
a este quarto branco e despovoado,
onde entro sempre pela primeira vez,
para falarmos das grandes searas de trigo
afogadas na luz do amanhecer.
Posso prometer uma viagem ao paraíso
a que se estender ao pé de mim,
ou deixar uma lágrima nos meus olhos
ser toda a nostalgia das areias.
É hora de adormecer na tua boca,
como uma marinheiro num barco naufragado,
o vento na margem das espigas.
Eugénio de Andrade
(extraido de os poemas da minha vida - Urbano Tavares Rodrigues - Edições Público)
chego a casa com os olhos rasos de água.
Posso deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar em ti como num bosque.
É hora de fazer milagres:
posso ressuscitar os mortos e trazê-los
a este quarto branco e despovoado,
onde entro sempre pela primeira vez,
para falarmos das grandes searas de trigo
afogadas na luz do amanhecer.
Posso prometer uma viagem ao paraíso
a que se estender ao pé de mim,
ou deixar uma lágrima nos meus olhos
ser toda a nostalgia das areias.
É hora de adormecer na tua boca,
como uma marinheiro num barco naufragado,
o vento na margem das espigas.
Eugénio de Andrade
(extraido de os poemas da minha vida - Urbano Tavares Rodrigues - Edições Público)
Friday, June 01, 2007
Tuesday, May 29, 2007
Uma Receita Para Um Miminho Especial: O Pequeno Almoço na Cama
Monday, May 28, 2007
Alice Vieira
Guarda-me para sempreAdormecida no teu peito
Ou deixa-me voar uma vez mais sobre
Esta terra de ninguém onde morro
Por qualquer coisa que me fale de ti
Há noites assim em que o silêncio
Se transforma ao de leve numa lâmina
Que minuciosamente rasga o linho
Onde ficou esquecido o corpo que habitámos
Em provisórias madrugadas felizes
Depois é só abrir os braços e acreditar
Que ainda faltam muitas horas para a partida
E que à toa pelos corredores ainda escorre
Uma razão primeiro a trazer-me de volta
E eu adormecida para sempre
No teu peito
E de novo entre nós aquele choro de quem
Não teve tempo de preparar a despedida
Com as palavras certas
Porque as palavras certas estavam todas
Em histórias erradas
Que outros escreveram em lugares nublados
Que nem vale a pena tentar recompor
Muito longe uma voz desgarrada
Estabelece o fim do verão
E eu adormecida para sempre
No teu peito...
Wednesday, April 25, 2007
Sunday, April 22, 2007
Thursday, March 29, 2007
Sunday, March 25, 2007
Tuesday, March 13, 2007
Episódios avulsos de um amor ardente - V
Saturday, March 10, 2007
Sunday, February 25, 2007
Thursday, February 22, 2007
Tuesday, February 20, 2007
Hoje que a tarde é calma e o céu tranquilo - Fernando Pessoa
Hoje que a tarde é calma e o céu tranqüilo,
E a noite chega sem que eu saiba bem,
Quero considerar-me e ver aquilo
Que sou, e o que sou o que é que tem.
Olho por todo o meu passado e vejo
Que fui quem foi aquilo em torno meu,
Salvo o que o vago e incógnito desejo
De ser eu mesmo de meu ser me deu.
Como a páginas já relidas, vergo
Minha atenção sobre quem fui de mim.
E nada de verdade em mim albergo
Salvo uma ânsia sem princípio ou fim.
Como alguém distraído na viagem,
Segui por dois caminhos par a par.
Fui com o mundo, parte da paisagem;
Comigo fui, sem ver nem recordar.
Chegado aqui, onde hoje estou, conheço
Que sou diverso no que informe estou.
No meu próprio caminho me atravesso.
Não conheço quem fui no que hoje sou.
Serei eu, porque nada é impossível,
Vários trazidos de outros mundos, e
No mesmo ponto espacial sensível
Que sou eu, sendo eu por 'star aqui?
Serei eu, porque todo o pensamento
Podendo conceber, bem pode ser,
Um dilatado e múrmuro momento,
De tempos-seres de quem sou o viver?
1.8.1931
Fernando Pessoa
E a noite chega sem que eu saiba bem,
Quero considerar-me e ver aquilo
Que sou, e o que sou o que é que tem.
Olho por todo o meu passado e vejo
Que fui quem foi aquilo em torno meu,
Salvo o que o vago e incógnito desejo
De ser eu mesmo de meu ser me deu.
Como a páginas já relidas, vergo
Minha atenção sobre quem fui de mim.
E nada de verdade em mim albergo
Salvo uma ânsia sem princípio ou fim.
Como alguém distraído na viagem,
Segui por dois caminhos par a par.
Fui com o mundo, parte da paisagem;
Comigo fui, sem ver nem recordar.
Chegado aqui, onde hoje estou, conheço
Que sou diverso no que informe estou.
No meu próprio caminho me atravesso.
Não conheço quem fui no que hoje sou.
Serei eu, porque nada é impossível,
Vários trazidos de outros mundos, e
No mesmo ponto espacial sensível
Que sou eu, sendo eu por 'star aqui?
Serei eu, porque todo o pensamento
Podendo conceber, bem pode ser,
Um dilatado e múrmuro momento,
De tempos-seres de quem sou o viver?
1.8.1931
Fernando Pessoa
Friday, February 16, 2007
Saturday, February 10, 2007
Gostoso demais - Maria Bethânia
Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim
O que é q'eu posso fazer
Saturday, January 20, 2007
Episódios avulsos de um amor ardente - IV
Ela: Não sei o que hei-de fazer contigo.
Ele: Ai não?! Pois eu sem bem o que fazer contigo.
Ela: Ah sim?
Ele: Não sei é o que fazer sem ti...
Ele: Ai não?! Pois eu sem bem o que fazer contigo.
Ela: Ah sim?
Ele: Não sei é o que fazer sem ti...
Wednesday, January 17, 2007
Aniversário - F.S.
Vinte e nove primaverascompletas hoje, sem contar,
porque o tempo não tem esperas
corre sempre sem cessar.
Outros anos virão mais:
muitas rosas, alguns espinhos...
Que as aves construam os ninhos;
que o barco regresse ao cais.
Que aprecies a paisagem,
as coisas simples e belas...
Porque a vida é uma viagem,
quadros pintados sem telas.
Que os Estios sejam brandos,
os Invernos bem amenos;
que os cadilhos sejam pequenos,
que as aves voem em bandos.
Muitas alegrias, poucos desgostos,
na tua vida aconteçam...
Que brilhem os olhos nos rostos
e lindas flores floresçam.
Ah! E que nunca te falte o amor!
Que é a coisa melhor do mundo.
Que saibas cantar de cor
esse sentimento profundo.
São estes os meus desejos,
que na minha letra te expresso.
E p'ra que tudo fique em verso,
dou-te miminhos, dou-te beijos.
Musa - Miguel Torga
Se vens, perco a razãp
E digo o que não quero.
Se não vens, desespero
E gasto o coração
A desejar-te.
Ah, como é difícil a arte
De te ser fiel!
E como é cruel
A tua tirania!
Noite e dia
Pregado
A um madeiro sagrado
De amargura.
Duramente sujeito,
Ou então contrafeito
Na minha liberdade sem loucura.
Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa a 12 Ago 1907; m. em Coimbra a 17 de Jan. de 1995).
E digo o que não quero.
Se não vens, desespero
E gasto o coração
A desejar-te.
Ah, como é difícil a arte
De te ser fiel!
E como é cruel
A tua tirania!
Noite e dia
Pregado
A um madeiro sagrado
De amargura.
Duramente sujeito,
Ou então contrafeito
Na minha liberdade sem loucura.
Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa a 12 Ago 1907; m. em Coimbra a 17 de Jan. de 1995).
Sunday, January 07, 2007
Sunday, December 31, 2006
RECIPE FOR A HAPPY NEW YEAR
Take twelve whole months.
Clean them thoroughly of all bitterness,
hate, and jealousy.
Make them just as fresh and clean as possible.
Now cut each month into twenty-eight, thirty, or thirty-one different parts,
but don't make up the whole batch at once.
Prepare it one day at a time out of these ingredients.
Mix well into each day one part of faith,
one part of patience, one part of courage,
and one part of work.
Add to each day one part of hope,
faithfulness, generosity, and kindness.
Blend with one part prayer, one part meditation,
and one good deed.
Season the whole with a dash of good spirits,
a sprinkle of fun, a pinch of play,
and a cupfull of good humor.
Pour all of this into a vessel of love.
Cook thouroughly over radient joy,
garnish with a smile,
and serve with quietness, unselfishness,
and cheerfulness.
You're bound to have a happy new year.
Clean them thoroughly of all bitterness,
hate, and jealousy.
Make them just as fresh and clean as possible.
Now cut each month into twenty-eight, thirty, or thirty-one different parts,
but don't make up the whole batch at once.
Prepare it one day at a time out of these ingredients.
Mix well into each day one part of faith,
one part of patience, one part of courage,
and one part of work.
Add to each day one part of hope,
faithfulness, generosity, and kindness.
Blend with one part prayer, one part meditation,
and one good deed.
Season the whole with a dash of good spirits,
a sprinkle of fun, a pinch of play,
and a cupfull of good humor.
Pour all of this into a vessel of love.
Cook thouroughly over radient joy,
garnish with a smile,
and serve with quietness, unselfishness,
and cheerfulness.
You're bound to have a happy new year.
Friday, December 29, 2006
Miminhos para o corpo também fazem bem à alma
Para terminar bem o ano de 2006 e começar melhor o de 2007. Não se preocupe com as calorias e com o que come entre o Natal e o Ano Novo. Preocupe-se com o que come entre o Ano Novo e o Natal...
Saturday, December 23, 2006
Wednesday, December 13, 2006
Episódios avulsos de um amor ardente - III
SHE: You are Mr. Six esses.
HE: Why?
SHE: You are sexy, seductive, sensational, sensual, smashing and absolutely, inquestionably stunning
HE: Oh!... I only have one D for you. You are absolutely delicious.
HE: Why?
SHE: You are sexy, seductive, sensational, sensual, smashing and absolutely, inquestionably stunning
HE: Oh!... I only have one D for you. You are absolutely delicious.
Friday, December 08, 2006
Episódios avulsos de um amor ardente - II
Ela: Dá-me a tua mão ... Ah! Ela é apena um pouco maior que as minhas. Estou a fazer uma sande (colocando a mão dele esticada entre as duas dela)
Ele: Pois. Uma sande de pão com pão.
Ela: As minhas são pão de leite.
Ele: A minha é pão integral.
E o episódio termina com eles beijando-se.
Ele: Pois. Uma sande de pão com pão.
Ela: As minhas são pão de leite.
Ele: A minha é pão integral.
E o episódio termina com eles beijando-se.
Friday, December 01, 2006
Episódios avulsos de um amor ardente - I
Hoje anunciamos a edição da primeira blogonovela Mundial, aqui no Miminhos.
Não tem periodicidade regular. Mas os episódios são divulgados em função da sua ocorrência ou da imaginação do autor.
Primeiro Episódio
Ela: Está a chover. Não queres vir ao cinema?
Ele: Pode ser. Mas olha! Não preferes antes vir fazer um filme?
Não tem periodicidade regular. Mas os episódios são divulgados em função da sua ocorrência ou da imaginação do autor.
Primeiro Episódio
Ela: Está a chover. Não queres vir ao cinema?
Ele: Pode ser. Mas olha! Não preferes antes vir fazer um filme?
Saturday, November 25, 2006
"As Time Goes By" - Nerman Hupfeld
Dedicated to somebody special ... she knows
This day and age we're living in
Gives cause for apprehension
With speed and new invention
And things like fourth dimension.
Yet we get a trifle weary
With Mr. Einstein's theory.
So we must get down to earth at times
Relax relieve the tension
And no matter what the progress
Or what may yet be proved
The simple facts of life are such
They cannot be removed.
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.
Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.
Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.
© 1931 Warner Bros. Music Corporation, ASCAP
This day and age we're living in
Gives cause for apprehension
With speed and new invention
And things like fourth dimension.
Yet we get a trifle weary
With Mr. Einstein's theory.
So we must get down to earth at times
Relax relieve the tension
And no matter what the progress
Or what may yet be proved
The simple facts of life are such
They cannot be removed.
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.
Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.
Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.
© 1931 Warner Bros. Music Corporation, ASCAP
Tuesday, November 21, 2006
Amor é o olhar total, que nunca pode - Fiama Hasse Pais Brandão
Amor é o olhar total, que nunca pode
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre à àgua.
Fiama Hasse Pais Brandão
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre à àgua.
Fiama Hasse Pais Brandão
Sunday, November 19, 2006
Saturday, November 11, 2006
Friday, November 10, 2006
Monday, November 06, 2006
Desejos - Ivaldo Gomes
De tanto desejos
Desejei...
Que foge a mim
O discernimento...
Neste momento, só sinto,
Só sou.
Que se dane as
Convenções...
As boas e más
Intenções.
Que brote em
Mim os desejos.
E os beijos
Que sejam dados,
Roubados,
De ti.
E o fogo tome
Conta de nós.
E os nós sejam
Atados, apertados,
Nos desejos,
Nos beijos,
De nós dois.
E seja,
Enfim.
Os desejos
Saciados.
Pois o que
Tenho de melhor
Hoje são os desejos,
Que sinto, que me
Permito ter.
Desejei...
Que foge a mim
O discernimento...
Neste momento, só sinto,
Só sou.
Que se dane as
Convenções...
As boas e más
Intenções.
Que brote em
Mim os desejos.
E os beijos
Que sejam dados,
Roubados,
De ti.
E o fogo tome
Conta de nós.
E os nós sejam
Atados, apertados,
Nos desejos,
Nos beijos,
De nós dois.
E seja,
Enfim.
Os desejos
Saciados.
Pois o que
Tenho de melhor
Hoje são os desejos,
Que sinto, que me
Permito ter.
Saturday, November 04, 2006
Os Pêssegos - Eugénio de Andrade
Monday, October 30, 2006
Aquela noite de beijos e carícias indecisas - Adolfo Casais Monteiro
Aquela noite de beijos e carícias indecisas...
Amaste-me talvez nesses momentos - só nesses momentos...
Aquele recanto de aldeia esquecido no meio da cidade,
a noite perfeita,
a paz imensa daquela hora breve
- essa indizível magia de certas noites imensas...
Sim, amaste-me talvez nesses breves momentos
Em que fomos apenas a Mulher e o Homem
- tu, liberta da tortura de analisar sem fim
os teus sentimentos por este e por aquele;
eu, capaz por uma vez de não pensar os meus gestos
e tendo apenas a voz do mais obscuro instinto.
A natureza em volta aniquilava as nossas biografias,
e não havia senão a extática presença da terra e dos astros,
e perdidos nela, nós, tão pobres, tão abandonados,
purificados de toda a nossa miséria,
tão Eva e Adão antes da maçã comida,
nós, vivos em nossa carne bem humana,
tecendo nas linhas embriagadas das nossas carícias
o véu que nos escondia a memória dos outros.
Que importam as palavras que dissemos,
as juras que fizemos!
Que nesse momento, em cada um de nós,
as palavras do outro eram já sabidas antes de ser ditas,
e o tumulto dos nossos corpos,
e o tumulto das nossas almas,
e a maré viva da nossa perfeita comunhão,
e o espraiar-se da nossa ternura sobre o mundo,
eram a única Palavra que valia!
Adolfo Casais Monteiro
In 366 poemas que falam de amor
uma antologia organizada por
Vasco Graça Moura, Quetzal Editores
Amaste-me talvez nesses momentos - só nesses momentos...
Aquele recanto de aldeia esquecido no meio da cidade,
a noite perfeita,
a paz imensa daquela hora breve
- essa indizível magia de certas noites imensas...
Sim, amaste-me talvez nesses breves momentos
Em que fomos apenas a Mulher e o Homem
- tu, liberta da tortura de analisar sem fim
os teus sentimentos por este e por aquele;
eu, capaz por uma vez de não pensar os meus gestos
e tendo apenas a voz do mais obscuro instinto.
A natureza em volta aniquilava as nossas biografias,
e não havia senão a extática presença da terra e dos astros,
e perdidos nela, nós, tão pobres, tão abandonados,
purificados de toda a nossa miséria,
tão Eva e Adão antes da maçã comida,
nós, vivos em nossa carne bem humana,
tecendo nas linhas embriagadas das nossas carícias
o véu que nos escondia a memória dos outros.
Que importam as palavras que dissemos,
as juras que fizemos!
Que nesse momento, em cada um de nós,
as palavras do outro eram já sabidas antes de ser ditas,
e o tumulto dos nossos corpos,
e o tumulto das nossas almas,
e a maré viva da nossa perfeita comunhão,
e o espraiar-se da nossa ternura sobre o mundo,
eram a única Palavra que valia!
Adolfo Casais Monteiro
In 366 poemas que falam de amor
uma antologia organizada por
Vasco Graça Moura, Quetzal Editores
Saturday, October 28, 2006
Sunday, October 22, 2006
Friday, October 20, 2006
Poema de amor - Natércia Freire
Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.
Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amante, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!
Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.
Natércia Freire
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo,
sem relógio nem espaço proibido.
Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amante, viajantes eternos,
olham por nós na hora que se esvai!
Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.
Natércia Freire
Monday, October 16, 2006
Thursday, October 12, 2006
Wednesday, October 11, 2006
Não tinha - Ângelo de Lima
Narcisos foto de Michela Grimal
Não tinha esse perfume, dos Narcisos!...
Nem o calor fervente dos Abraços!...
Aquela, a quem um dia abri os braços
- Que me encantava a alma de sorrisos!...
- Vi seus olhos, então!... - os lagos lisos
Não são mais cristalinos... nem mais frios!...
- Pobres Almas de Moços... - Balbucios
E Inocentes! - e Ínscios!... e Indecisos!!!...
Monday, October 09, 2006
Ideal - Antero de Quental
Circe Offering the Cup to Ulysses
Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazonas, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...
Antero de Quental
Sunday, October 08, 2006
Saturday, October 07, 2006
Ternura - David Mourão-Ferreira
Desvio dos teus ombros o lençol,
Que é feito de ternura amarrotada,
Da frescura que vem depois do sol,
Quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te lentamente,
E é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
retirado de Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica - Natália Correia,
Antígona, Frenesi
Que é feito de ternura amarrotada,
Da frescura que vem depois do sol,
Quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te lentamente,
E é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
retirado de Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica - Natália Correia,
Antígona, Frenesi
Thursday, October 05, 2006
An afternoon - Raymond Clevie Carter
As he writes, without looking at the sea,
he feels the tip of his pen begin to tremble.
The tide is going out across the shingle.
But it isn't that. No,
it's because at that moment she chooses
to walk into the room without any clothes on.
Drowsy, not even sure where she is
for a moment. She waves the hair from her forehead.
Sits on the toilet with her eyes closed,
head down. Legs sprawled. He sees her
through the doorway. Maybe
she's remembering what happened that morning.
For after a time, she opens one eye and looks at him.
And sweetly smiles.
Raymond Clevie Carver
he feels the tip of his pen begin to tremble.
The tide is going out across the shingle.
But it isn't that. No,
it's because at that moment she chooses
to walk into the room without any clothes on.
Drowsy, not even sure where she is
for a moment. She waves the hair from her forehead.
Sits on the toilet with her eyes closed,
head down. Legs sprawled. He sees her
through the doorway. Maybe
she's remembering what happened that morning.
For after a time, she opens one eye and looks at him.
And sweetly smiles.
Raymond Clevie Carver
Monday, October 02, 2006
By Your Side - Lyrics - Sade
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think i'd leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're on the outside baby and you can`t get in
i will show you you're so much better than you know
when you're lost and you're alone and you cant get back again
i will find you darling and i will bring you home
and if you want to cry
i am here to dry your eyes
and in no time
you'll be fine
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think id leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're low
i'll be there
by your side baby
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
oh when you're low
i'll be there
by your side baby
you know me better than that
you think i'd leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're on the outside baby and you can`t get in
i will show you you're so much better than you know
when you're lost and you're alone and you cant get back again
i will find you darling and i will bring you home
and if you want to cry
i am here to dry your eyes
and in no time
you'll be fine
you think i'd leave your side baby
you know me better than that
you think id leave you down when you're down on your knees
i wouldn't do that
i'll tell you you're right when you want
and if only you could see into me
ha ah ah ah ah ah
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
when you're low
i'll be there
by your side baby
oh when you're cold
i'll be there
hold you tight to me
oh when you're low
i'll be there
by your side baby
Saturday, September 30, 2006
Friday, September 29, 2006
The 20 Best movies of all time
A dear blogger Nothingandall started this initiative, on Jan 26, 2006... We would like to have this list of movies circulated in as many blogs as possible and updated, to choose the 20 best movies of all times by the blogosphere. Each blogger adds two movies (the two best for him) in substitution of other two from the list received). The 5 most recent bloggers which update the list were:
6. List updated by “O-Observatório
7. List updated by Terreiro
8. List updated by Domusophia
9. List updated by Abrunhosa do Mato
10 . List updated by Camané4ever
So I received the list from Camané4ever and I have included my 2 personal choices:
The Godfather Trilogy (1972, 1974, 1990) - Francis Ford Coppola and
Les uns et les autres (1981) - Claude Lelouch
and retired two of the films from the list received:
A Laranja Mecânica – 1971 (Stanley Kubrick) and
City of Angels (Cidade dos Anjos)
The list updated now is :
Apocalipse Now - 1979 (Francis Ford Coppola)
Blue Velvet - 1986 (David Linch)
Citizen Kane - 1941 (Orson Welles)
East of Eden - 1955 (Ellia Kazan)
La vita è bella (Life is beautiful) - 1997 (Roberto Benigni)
Modern Times - 1936 (Charles Chaplin)
Munich - 2005 (Steven Spielberg)
Name of the Rose - 1986 (Annaud, Jean-Jacques)
Nuovo Cinema Paradiso - 1988 (Giuseppe Tornatore)
O Pianista - 2002 (Roman Polanski)
One Flew Over The Cuckoo's Nest - 1975 (Milos Forman)
Scent of A Woman - 1992 (Martin Brest)
The Bridge on The River Kway - 1957 (David Lean)
The Deer Hunter - 1978 (Michael Cimino)
The English Patient - 1996 (Anthony Minghella)
The Guns of Navarone - 1961 (J. Lee Thompson)
The Schindler's List (A Lista de Schindler) - 1993 (Steven Spielberg)
Unforgiven - 1992 (Clint Eastwood)
The Godfather Trilogy (1972, 1974, 1990) - Francis Ford Coppola
Les uns et les autres (1981) - Claude Lelouch
I will now be passing the list to my dear friend at A Minha Matilde
6. List updated by “O-Observatório
7. List updated by Terreiro
8. List updated by Domusophia
9. List updated by Abrunhosa do Mato
10 . List updated by Camané4ever
So I received the list from Camané4ever and I have included my 2 personal choices:
The Godfather Trilogy (1972, 1974, 1990) - Francis Ford Coppola and
Les uns et les autres (1981) - Claude Lelouch
and retired two of the films from the list received:
A Laranja Mecânica – 1971 (Stanley Kubrick) and
City of Angels (Cidade dos Anjos)
The list updated now is :
Apocalipse Now - 1979 (Francis Ford Coppola)
Blue Velvet - 1986 (David Linch)
Citizen Kane - 1941 (Orson Welles)
East of Eden - 1955 (Ellia Kazan)
La vita è bella (Life is beautiful) - 1997 (Roberto Benigni)
Modern Times - 1936 (Charles Chaplin)
Munich - 2005 (Steven Spielberg)
Name of the Rose - 1986 (Annaud, Jean-Jacques)
Nuovo Cinema Paradiso - 1988 (Giuseppe Tornatore)
O Pianista - 2002 (Roman Polanski)
One Flew Over The Cuckoo's Nest - 1975 (Milos Forman)
Scent of A Woman - 1992 (Martin Brest)
The Bridge on The River Kway - 1957 (David Lean)
The Deer Hunter - 1978 (Michael Cimino)
The English Patient - 1996 (Anthony Minghella)
The Guns of Navarone - 1961 (J. Lee Thompson)
The Schindler's List (A Lista de Schindler) - 1993 (Steven Spielberg)
Unforgiven - 1992 (Clint Eastwood)
The Godfather Trilogy (1972, 1974, 1990) - Francis Ford Coppola
Les uns et les autres (1981) - Claude Lelouch
I will now be passing the list to my dear friend at A Minha Matilde
Tuesday, September 26, 2006
Shampoo - Antoniel Campos
bastaria o movimentos dos quadris
face à minha face
os teus joelhos em ângulo
tuas mãos em meus cabelos
bastaria
sentir o teu sabor mais íntimo
o ir e vir e o vir e ir
da perfeita sincronia desencontrada
dos meus lábios
nos teus lábios
bastaria o postergar do ápice
o ver o transformar do teu sorriso
em outros risos que adoro, amo e quero
mas não
tinhas que vir com teus cabelos ainda úmidos
saídos da banheira a pétalas preparada
e tinhas que fazer dos fios — pura maldade —
o carrossel a girar em todo o rosto meu
: cheiro esse em que ainda permaneço
face à minha face
os teus joelhos em ângulo
tuas mãos em meus cabelos
bastaria
sentir o teu sabor mais íntimo
o ir e vir e o vir e ir
da perfeita sincronia desencontrada
dos meus lábios
nos teus lábios
bastaria o postergar do ápice
o ver o transformar do teu sorriso
em outros risos que adoro, amo e quero
mas não
tinhas que vir com teus cabelos ainda úmidos
saídos da banheira a pétalas preparada
e tinhas que fazer dos fios — pura maldade —
o carrossel a girar em todo o rosto meu
: cheiro esse em que ainda permaneço
Monday, September 25, 2006
Mágico instante
Pudesse eu parar a vida e o Mundo no instante
Em que procuro o teu olhar e vejo-te sorrir;
Esse momento traz-me felicidade bastante
Para nada mais querer e do mais desistir.
Em que procuro o teu olhar e vejo-te sorrir;
Esse momento traz-me felicidade bastante
Para nada mais querer e do mais desistir.
Tuesday, September 19, 2006
Ó gente da minha terra - Amália Rodrigues
Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi
É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra
Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar
E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar
in Versos - Amália Rodrigues
Livros Cotovia
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi
É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra
Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar
E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar
in Versos - Amália Rodrigues
Livros Cotovia
Thursday, September 14, 2006
Tonight ...
"Oh tonight you killed me with your smile so beautiful and wild" . I love this sentence from the lyrics of Reamonn's song «Tonight»; and because it describes so well what happened to me on Sep 8, I remembered to write it here, today.
Tuesday, September 12, 2006
Tango - Scent of a woman
Great music and great artists: Al Pacino and the mysterious Gabrielle Anwar
Sunday, September 10, 2006
To love dreaming
The simple touch of your body was enough to ignite a profound and wild desire of having you. Sometime after a deep and long kiss on her mouth, there they were, naked, alone in their world, free of motives or consequences, without a before or an after, in an unrepeatable moment of love beyond description.
I kissed her on the mouth, her face, her neck and her 36B's cried out for the attention, which I so enjoyably and deliciously gave them in a moment of utter pleasure.
I descended upon her body, now at her belly, and since I got no signs to stop, I interpreted this as a duty to continue. Just as in Drummond's poem, the 'tongue licks, it licks deeply, it licks slowly, the bushy cave, and the more it licks, the more active it becomes, reaching the heaven of all heavens, amidst cries and whimpers of angry lions in a forest…'
When shaken by the 'kitten's' delight, I wake up, I open my eyes, I seek you… I'm alone!
I kissed her on the mouth, her face, her neck and her 36B's cried out for the attention, which I so enjoyably and deliciously gave them in a moment of utter pleasure.
I descended upon her body, now at her belly, and since I got no signs to stop, I interpreted this as a duty to continue. Just as in Drummond's poem, the 'tongue licks, it licks deeply, it licks slowly, the bushy cave, and the more it licks, the more active it becomes, reaching the heaven of all heavens, amidst cries and whimpers of angry lions in a forest…'
When shaken by the 'kitten's' delight, I wake up, I open my eyes, I seek you… I'm alone!
Monday, September 04, 2006
Segredo - Maria Teresa Horta
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Sunday, September 03, 2006
Saturday, September 02, 2006
Volúpia - Florbela Espanca
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade…
A núvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade…
A núvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
Friday, September 01, 2006
Amar sonhando ...
Photo: Luc SelenUm simples toque do seu corpo foi a ignição para um profundo e selvagem desejo de a ter. Um beijo profundo e demorado na sua boca e passado algum tempo aí estavam eles, nus, no mundo sós, sem pressupostos nem consequências, sem antes nem depois, num momento inefável de amor irrepetível.
Beijava-a na boca, no rosto, no pescoço e já os 36 B requeriam a atenção que passei a dispensar com inebriante e deliciosa sensação de prazer.
Descia no seu corpo, agora no umbigo e porque nenhum sinal recolhi de paragem interpretei-o como sendo de sentido obrigatório. Tal como no poema de Drummond a "língua lambe, lambilonga, lambilenta a licorina gruta cabeluda e quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu, entre gemidos, entre gritos, balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos".
Beijava-a na boca, no rosto, no pescoço e já os 36 B requeriam a atenção que passei a dispensar com inebriante e deliciosa sensação de prazer.
Descia no seu corpo, agora no umbigo e porque nenhum sinal recolhi de paragem interpretei-o como sendo de sentido obrigatório. Tal como no poema de Drummond a "língua lambe, lambilonga, lambilenta a licorina gruta cabeluda e quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu, entre gemidos, entre gritos, balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos".
Quando estremecido pelo êxtase do «gatinho» acordo, abro os olhos, procuro-te... Estou sozinho !
Subscribe to:
Posts (Atom)








































